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Fabio Morus
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Como se livrar do vício de jogos de azar: sinais, tratamento e onde buscar ajuda

16 min de leitura
Celular virado para baixo sobre uma mesa de madeira à noite, ao lado de uma carteira de couro fechada e de um molho de chaves, sob a luz de um abajur
Fabio Morus
Fabio Morus

Hipnoterapeuta Clínico

Para se livrar do vício de jogos de azar, o caminho costuma combinar três frentes: cortar o acesso às apostas, contar a alguém de confiança e procurar tratamento, de preferência com terapia cognitivo-comportamental. Clinicamente, o vício em apostas se chama transtorno do jogo, e a Organização Mundial da Saúde estima que atinja 1,2% da população adulta do mundo (OMS, 2024).

No Brasil, o terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) calculou que 10,9 milhões de pessoas de 14 anos ou mais apostam de um modo que põe em risco a saúde e as finanças. Um grupo menor, de 1,4 milhão (0,8%), tem um padrão compatível com o transtorno do jogo (Pesquisa FAPESP, 2025). Este guia explica os sinais, os primeiros passos, o que fazer depois de perder dinheiro e onde o SUS atende.

Se você está pensando em tirar a própria vida, ligue agora para o CVV no 188 (gratuito, 24 horas, cvv.org.br). Para quem tem problemas com apostas e pensamentos de morte, o guia do Ministério da Saúde orienta acionar o SAMU no 192 ou ir a uma UPA (Guia do Ministério da Saúde, 2026).

Pontos principais

  • O transtorno do jogo é diagnóstico reconhecido no DSM-5 e na CID-11, que o define por perda de controle, prioridade crescente das apostas e continuação apesar dos prejuízos.
  • Cerca de 1,4 milhão de brasileiros (0,8% da população de 14 anos ou mais) têm um padrão compatível com o diagnóstico, segundo o LENAD III.
  • A Plataforma Centralizada de Autoexclusão bloqueia todas as bets autorizadas de uma vez, por 1 a 12 meses ou por tempo indeterminado.
  • A terapia cognitivo-comportamental tem a melhor evidência de tratamento, embora não se saiba quanto tempo os ganhos duram.
  • O SUS atende pela Unidade Básica de Saúde e pelo CAPS, sem exigir outro problema de saúde associado.

Este texto informa e orienta. Ele não substitui a avaliação de um profissional de saúde mental.

O que é o vício em jogos de azar

Vício em jogos de azar é o nome popular do transtorno do jogo, diagnóstico que a CID-11 define por três requisitos. Primeiro vem a perda de controle sobre quando, quanto e por quanto tempo se joga. Depois, o jogo ganha prioridade crescente, a ponto de passar à frente de outros interesses e das atividades do dia a dia. Por fim, as apostas continuam apesar das consequências negativas (OMS, 2024).

Na descrição da Organização Mundial da Saúde, o transtorno fica ao lado dos transtornos por uso de substâncias, tanto na CID-11 quanto no DSM-5 (OMS, 2024). Uma revisão de 2025 no American Journal of Psychiatry resume a posição dele: é o único vício comportamental reconhecido como transtorno clínico no DSM-5 (Brand et al., 2025).

Isso diferencia o jogo de outros padrões que o dia a dia chama de vício, como o comportamento sexual compulsivo, que pode incluir o uso de pornografia e recebeu outra classificação na CID-11 (OMS, 2018). O artigo sobre vício em pornografia explica o que é vício comportamental e em que ele difere do vício em substância.

Apostar compulsivamente tem critério diagnóstico definido, e a CID-11 prevê que esse padrão pode acontecer online ou presencialmente (CID-11).

Sinais de que as apostas viraram um problema

Um dos sinais mais conhecidos é a tentativa de recuperar o dinheiro perdido apostando mais, o que a psiquiatria chama de “correr atrás do prejuízo” (chasing). Esse comportamento está entre os critérios da Associação Americana de Psiquiatria. Outros dois são mentir para esconder o quanto se joga e depender de outras pessoas para cobrir problemas de dinheiro causados pelas apostas (APA).

No Reino Unido, o questionário de rastreio do NHS, o serviço público de saúde, acrescenta perguntas que qualquer pessoa pode fazer a si mesma. Você aposta mais do que pode perder, precisa apostar valores maiores para sentir a mesma coisa, já pegou dinheiro emprestado ou vendeu algo para jogar (NHS)?

O diagnóstico exige pelo menos quatro dos nove critérios da APA no último ano, contando os três já citados (correr atrás do prejuízo, mentir sobre o jogo e depender de outros para cobrir problemas de dinheiro). Os outros seis são (APA):

  • pensar com frequência em apostas, revivendo jogos passados ou planejando os próximos;
  • precisar apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma excitação;
  • tentativas repetidas e frustradas de controlar, reduzir ou parar;
  • inquietação ou irritação ao tentar diminuir;
  • apostar para fugir de problemas ou de um humor ruim;
  • perder oportunidades importantes, como emprego, estudos ou relações próximas, por causa do jogo.

O questionário do NHS acrescenta a culpa pelo jeito de jogar e as críticas de outras pessoas às apostas (NHS).

Esses sinais servem para abrir uma conversa com um profissional, não para fechar um diagnóstico. No questionário do NHS, uma pontuação de 8 ou mais indica que a pessoa ou quem convive com ela provavelmente já sofre danos relacionados ao jogo. Pontuações entre 1 e 7 também podem significar impacto negativo (NHS).

Por que as bets e as apostas online pioram o quadro?

Online, a distância entre o impulso e a aposta quase some. Segundo a OMS, por estar na internet, o jogo fica acessível praticamente em qualquer lugar e a qualquer hora, inclusive onde é proibido. A promoção agressiva nas redes sociais e na mídia faz as apostas crescerem (OMS, 2024).

Uma comissão da revista The Lancet Public Health sobre jogo resumiu o efeito numa imagem: quem tem celular carrega, na prática, “um cassino no bolso, 24 horas por dia”. A comissão afirmou ainda que marketing e tecnologia sofisticados tornam mais fácil começar e mais difícil parar de apostar (EurekAlert / The Lancet Public Health, 2024).

Dinheiro é o que melhor mostra a dimensão do fenômeno no Brasil. Um estudo do Banco Central estimou que, em agosto de 2024, 56 empresas de apostas receberam R$ 20,8 bilhões em transferências por Pix, com cerca de 24 milhões de pessoas fazendo pelo menos uma transferência. No mesmo mês, 5 milhões de pessoas de famílias do Bolsa Família enviaram R$ 3 bilhões às bets, com mediana de R$ 100 por pessoa (Banco Central, 2024). Vale a ressalva do próprio Banco Central: são estimativas preliminares, e os valores são brutos.

Pessoa adulta sentada no sofá de uma sala escura à noite, com o rosto iluminado pela luz de um celular seguro no colo e as luzes da cidade atrás da janela

Também é no celular que vivem outros padrões compulsivos. Se o problema parece estar mais no uso do aparelho do que nas apostas, o texto sobre sintomas de vício em celular ajuda a separar uma coisa da outra.

Causas e consequências do vício em apostas

As causas do vício em apostas misturam fatores pessoais, sociais e do próprio produto. Segundo a OMS, eventos marcantes como separação, aposentadoria, lesão ou a morte de alguém querido podem aumentar o risco, assim como pobreza, discriminação e outras desvantagens sociais (OMS, 2024).

A Associação Americana de Psiquiatria cita idade mais jovem, sexo masculino, trauma, desigualdade social, baixa renda e desemprego como possíveis fatores de risco. Ela também liga o aumento no número de pessoas com problemas ao aumento da oferta de apostas (APA).

O guia do Ministério da Saúde acrescenta que grupos socialmente vulneráveis são mais suscetíveis aos efeitos negativos do jogo. Entre eles estão pessoas em situação de rua, idosos, jovens e quem tem histórico de transtorno mental ou de uso de álcool e drogas (Guia do Ministério da Saúde, 2026).

Raramente o dano do jogo fica só na conta bancária. Entre as consequências, a OMS lista o aumento de transtornos mentais e de suicídio, a ruptura de relacionamentos, a violência familiar, as dificuldades financeiras e crimes para conseguir dinheiro, como furto e fraude (OMS, 2024).

Para a Associação Americana de Psiquiatria, o transtorno do jogo tem o maior risco de suicídio entre os transtornos por uso de substâncias e comportamentos aditivos (APA).

No SUS, os atendimentos registrados por jogo patológico e por problemas relacionados a apostas somaram 10.553 entre janeiro de 2018 e maio de 2025, um aumento de 104% no período (Guia do Ministério da Saúde, 2026).

Os dados sobre suicídio pedem leitura cuidadosa. Um estudo sueco com 2.099 pessoas em tratamento para o transtorno encontrou mortalidade por suicídio 15 vezes maior que a da população geral, e a depressão previa essas mortes (Karlsson e Håkansson, 2018).

Uma análise posterior do mesmo grupo de pesquisa, porém, sugere que outras condições de saúde e a situação socioeconômica parecem ser razões importantes para esse risco extra (Karlsson et al., 2025). Na prática, isso reforça a importância de tratar junto a ansiedade e a depressão que podem acompanhar o jogo.

Como parar de apostar em bets?

Como primeiro passo concreto, tire o acesso às apostas antes de contar com a força de vontade. Pela Plataforma Centralizada de Autoexclusão do Ministério da Fazenda, é possível bloquear, de uma só vez, todos os sites de apostas autorizados no país.

Para entrar, basta a conta gov.br de nível prata ou ouro. O bloqueio pode durar de 1 a 12 meses ou ser por tempo indeterminado (com mínimo de 12 meses), e as operadoras têm até 72 horas para cortar o acesso (Ministério da Fazenda, 2026).

Só as empresas autorizadas, que usam o domínio .bet.br (Ministério da Fazenda, 2024), entram no bloqueio, então sites ilegais ficam de fora.

Outras medidas somam proteção:

  1. Desative as notificações de sites e aplicativos de apostas, uma recomendação do guia do Ministério da Saúde (Guia do Ministério da Saúde, 2026).
  2. Pergunte ao seu banco se ele oferece bloqueio de pagamentos para empresas de apostas. O NHS recomenda esse bloqueio no Reino Unido (NHS), e vale conferir se o seu banco tem algo parecido.
  3. Pague as contas essenciais no dia em que o salário cai, outra orientação do NHS (NHS).
  4. Converse com familiares ou amigos sobre as apostas, o que o guia do Ministério da Saúde também indica (Guia do Ministério da Saúde, 2026).

Duas canecas lado a lado sobre uma mesa redonda de madeira, junto a duas cadeiras próximas, com luz suave da manhã entrando por uma cortina clara

Contar a alguém tende a ser o passo mais difícil, porque esconder as apostas é um dos próprios sinais do transtorno. Quem ouvir não precisa resolver nada, só saber e ajudar a manter os bloqueios de pé. Vale também mapear os momentos em que a vontade de apostar aparece, e o texto sobre gatilhos emocionais mostra como reconhecer essas situações antes que elas virem uma aposta.

Perdi dinheiro em apostas: o que fazer agora

Depois de uma perda grande, a regra mais importante é não tentar recuperar o dinheiro apostando de novo. Correr atrás do prejuízo é um dos critérios da Associação Americana de Psiquiatria, e a mesma lista inclui depender de outras pessoas para cobrir problemas de dinheiro causados pelas apostas (APA).

Do lado britânico, o NHS orienta a lidar com as dívidas em vez de ignorá-las. Também pede que a pessoa não veja o jogo como forma de ganhar dinheiro e converse com alguém de confiança sobre o que está acontecendo (NHS). Nas horas seguintes a uma perda, essas orientações se traduzem numa ordem prática: ativar a autoexclusão, deixar os cartões longe e contar a alguém.

Endividamento extremo, risco de suicídio e perda de controle são, para o guia do Ministério da Saúde, sinais de maior gravidade, que pedem atendimento articulado entre CAPS, serviços de urgência e assistência social (Guia do Ministério da Saúde, 2026). Se a perda trouxe pensamentos de morte, o CVV (188) e o SAMU (192) vêm antes de qualquer planilha.

Quando chegar a hora de organizar as dívidas, o Ministério da Justiça indica o consumidor.gov.br e os órgãos de defesa do consumidor, como os Procons, para negociar dívidas e lembra a Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021). Na mesma página, o Registrato, do Banco Central, aparece como o sistema que reúne em relatórios as operações de crédito em seu nome (Ministério da Justiça). Este texto não entra em aconselhamento financeiro.

Vício em apostas tem tratamento?

De todos os tratamentos, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é o que tem a melhor evidência para o vício em jogos de azar. Uma revisão Cochrane com 14 estudos e 1.245 participantes encontrou efeitos que iam de moderados, na redução das perdas financeiras, a muito grandes, na gravidade dos sintomas, logo ao fim da terapia. Os autores ressalvam que a duração desses ganhos é desconhecida (Cowlishaw et al., Cochrane, 2012).

Também a OMS aponta a TCC de longo prazo e a entrevista motivacional como as abordagens mais eficazes disponíveis (OMS, 2024).

No SUS, quem tem sofrimento mais intenso ou prejuízos por causa das apostas pode receber atendimentos individuais, grupos terapêuticos, oficinas e apoio à família. Esse cuidado é dividido entre a atenção primária e o CAPS (Guia do Ministério da Saúde, 2026).

Remédios têm papel menor. Nenhum medicamento é aprovado pela FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, para o transtorno do jogo (APA).

Os antagonistas opioides são considerados a primeira linha entre os medicamentos, mas uma meta-análise encontrou efeitos pequenos quando comparados com placebo (Goslar et al., 2019). Um psiquiatra pode avaliar se depressão, ansiedade ou uso de álcool precisam de tratamento próprio.

Sala de terapia clara durante o dia, com uma poltrona, uma mesa baixa com caixa de lenços e um copo de água, plantas e uma janela grande

E a hipnoterapia? Para o jogo, a evidência específica é escassa. Numa busca na base Europe PMC feita para este texto, só um estudo controlado apareceu, com 49 pessoas. Um grupo fez 11 sessões de terapia e outro fez 7 sessões que incluíam auto-hipnose, e a abstinência foi semelhante nos dois (Lloret et al., 2014).

Os autores sugerem a auto-hipnose como técnica de apoio, e é só nesse papel, somada à TCC e apoiada num único estudo pequeno, que a hipnose entra aqui. Na minha prática com hipnoterapia, a hipnose entra junto com o acompanhamento psicológico e o bloqueio do acesso às apostas, nunca no lugar deles.

Onde buscar ajuda no Brasil

Pelo SUS, pessoas com problemas relacionados a apostas têm atendimento, e a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS). O Ministério da Saúde indica atendimento na UBS e atendimento especializado no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS); o SUS também oferece teleatendimento pelo aplicativo Meu SUS Digital (Ministério da Saúde).

Segundo o guia de cuidado de 2026, a pessoa não precisa ter outro problema, como uso de álcool e drogas ou pensamentos suicidas, para ser atendida por causa das apostas. O CAPS funciona como serviço de porta aberta (Guia do Ministério da Saúde, 2026).

O PRO-AMJO, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, funciona desde 1997 e atende pessoas com transtorno do jogo e seus familiares (IPq-HCFMUSP). Os Jogadores Anônimos são um grupo de ajuda mútua para quem quer parar de jogar.

Resumo das rotas:

ServiçoPara quêComo acessar
Unidade Básica de Saúde (UBS)Porta de entrada, escuta e acompanhamentoUnidade mais próxima de casa (Guia do Ministério da Saúde, 2026)
CAPSAcompanhamento especializado, porta abertaDireto no serviço (Guia do Ministério da Saúde, 2026)
Meu SUS DigitalTeleatendimentoAplicativo (Ministério da Saúde)
CVVApoio emocional, gratuito, 24 horas188 ou cvv.org.br
SAMU ou UPACrise e pensamentos de morte192 ou a UPA mais próxima (Guia do Ministério da Saúde, 2026)
PRO-AMJO (IPq-HCFMUSP, São Paulo)Tratamento especializado, maiores de 18 anosTriagem pelo (11) 2661-7805 (IPq-HCFMUSP, 2026)
Plataforma Centralizada de AutoexclusãoBloqueio das bets autorizadasLogin gov.br prata ou ouro (Ministério da Fazenda, 2026)

Perguntas frequentes

Vício em jogos de azar é doença?

Sim. Na CID-11, a Organização Mundial da Saúde define o transtorno do jogo por três requisitos: perda de controle sobre o jogo, prioridade crescente dada às apostas em relação a outros interesses e continuação apesar das consequências negativas (OMS, 2024). Nos Estados Unidos, o DSM-5, manual da psiquiatria americana, também o reconhece, e o transtorno do jogo é o único vício comportamental aceito ali como transtorno clínico (Brand et al., 2025). Só um profissional de saúde pode fazer esse diagnóstico.

O SUS atende quem tem vício em apostas?

Sim. Segundo o Ministério da Saúde, a Unidade Básica de Saúde é a porta de entrada e o CAPS faz o atendimento especializado (Ministério da Saúde). Pelo guia de cuidado publicado em 2026, a pessoa não precisa ter problema com álcool, drogas ou pensamentos suicidas para ser atendida por causa das apostas (Guia do Ministério da Saúde, 2026).

Como funciona a autoexclusão das bets?

Criada pelo Ministério da Fazenda, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão bloqueia de uma vez o acesso a todos os sites de apostas autorizados. Para entrar, usa-se a conta gov.br nível prata ou ouro; o prazo vai de 1 a 12 meses ou é indeterminado (com mínimo de 12 meses), e as operadoras têm até 72 horas para bloquear o acesso (Ministério da Fazenda, 2026). Sites ilegais, fora do domínio .bet.br (Ministério da Fazenda, 2024), ficam de fora.

Existe remédio para vício em apostas?

Nenhum medicamento tem aprovação da FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, para tratar o transtorno do jogo (APA). Os antagonistas opioides são considerados a primeira linha entre os medicamentos, mas uma meta-análise encontrou efeitos pequenos quando comparados com placebo e pediu estudos maiores (Goslar et al., 2019). Um psiquiatra pode avaliar se há outra condição, como depressão, que precise de medicação.

Hipnoterapia ajuda a parar de apostar?

Por enquanto, a evidência é escassa. Numa busca na base Europe PMC feita para este texto, só um estudo controlado apareceu, comparando 49 pessoas: um grupo fez 11 sessões de terapia e outro fez 7 sessões que incluíam auto-hipnose, sem diferença na abstinência entre os grupos (Lloret et al., 2014). Os autores sugerem a auto-hipnose como técnica de apoio, e é esse o papel que cabe a ela: complemento de um tratamento com terapia cognitivo-comportamental, nunca substituto.

Se você se reconheceu em vários sinais deste texto, o primeiro passo para se livrar do vício de jogos de azar pode ser a UBS mais perto de casa, e a autoexclusão pode ser feita hoje mesmo. Se hoje for um dia difícil, o CVV atende no 188, de graça e a qualquer hora.

Referências citadas

Este conteúdo é de carácter informativo e não substitui diagnóstico clínico profissional ou tratamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado antes de tomar qualquer decisão com base nesta informação.
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